segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Vamos a mais um clichê

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Esse ano foi engraçado. Eu até poderia fazer uma daquelas retrospectivas, sabem? Contando as coisas memoráveis que me aconteceram esse ano. Não foi muita coisa e, já que eu também vivia comentando aqui sobre tudo de mais importante que me acontecia, vou deixar isso para, quem sabe, ano que vem.
Eu espero de 2013 tudo que todos vocês esperam. 
Entrada de ano é uma das coisas mais clichês do mundo. Você tem que ligar para os seus amigos e repetir a mesma coisa que você disse nos anos anteriores. Tem que ir nas redes sociais e dizer as mesmas coisas de sempre, as mesmas coisas que todos dizem. É assim, é verdade.
Então, tendo isso de clichês na mente, saibam que eu desejo um mar inteiro de felicidades para todos. Que vocês realizem tudo que conseguirem realizar e vivam o mais intensamente possível. Que 2013 seja muito melhor do que 2012 foi para você, porque, afinal, sobrevivemos ao fim do mundo! 
Recebam esse novo ano de braços abertos e de pé direito pois, podem acreditar, ele os receberá da mesma maneira. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Minhas realidades paralelas

Primeiramente, eu queria agradecer à minha amiga Gleice pela inconsciente sugestão de texto, porque eu estava com muitas ideias em mente, como sempre, mas nada era bom o suficiente para sair do meu cérebro e ser escrito - não, espera, não estou dizendo que o vou escrever é bom. 
Como ela é uma desconectada total de tudo que é rede social imaginável, nós duas apenas nos comunicamos por e-mail. Aproveito a deixa para agradecer, não é qualquer um que lê e responde meus e-mails, pois, acreditem quando eu digo: são enormes. Ainda mais quando é conversando com uma amiga de longa data e você não tem vergonha de divulgar suas peculiaridades e a falta de graça que domina a sua vida.
Numa dessas conversas, ela ficou impressionada quando eu disse que passava horas imaginando realidades paralelas. E, cá entre nós, sempre achei que esse troço fosse coisa comum a todos; mas não! Ela não imagina e eu me peguei pensando: qual o meu problema?
Vejam bem, eu sou uma pessoa solitária. Talvez seja por isso que eu me identifiquei tanto com o Charlie em As Vantagens de Ser Invisível. A questão é: vantagens, onde estão vocês?
Eu tenho amigos e me relaciono com as pessoas, sim. Mas em 5% do meu tempo. O que eu faço no tempo que sobra é conversar comigo mesma (mentalmente, claro), vaguear pela internet, ler, assistir e coisas normais que todas as pessoas normais do mundo fazem, mas com uma intensidade menor.
Dada essa introdução melodramática, vou direto ao ponto. Quando eu deito na cama para dormir, eu demoro um bocado. Isso porque eu vou dormir relativamente cedo, mas não durmo efetivamente cedo. Vou explicar: deito e passo horas imaginando vidas paralelas, vidas perfeitas, vidas que eu poderia ter, vidas que eu queria ter, com coisas que eu queria possuir e em lugares em que eu queria estar.
E não acredito que ninguém faça isso. Não acredito que ninguém acorde pela manhã, mas só se levante umas quatro horas depois, pois havia perdido a noção do tempo enquanto imaginava os mínimos detalhes de uma vida perfeita que não existe nem vai existir em outro lugar que não seja na sua mente.
Eu faço isso demais, mas, deixa eu esclarecer: apenas nas férias. Isso porque é uma grande perda de tempo. Por que diabos eu fico me imaginando vivendo uma vida que não existe sendo que eu tenho uma vida para viver realmente? Não pergunte, eu não sei.
Deve ser porque a minha querida vida é desprovida de acontecimentos interessantes, ou porque nas férias eu sou um completo saco, ou porque eu não tenho nada de interessante para fazer e estou com preguiça de levantar da cama. Toda manhã é assim. Minha mãe vai trabalhar e, quando chega, quase todos os dias, eu tenho que escutar o sermão de que eu "obrigatoriamente tenho que tomar meu café da manhã". E, como mães estão certas, eu até tomei o bendito hoje. Porém voltei a dormir (lê-se: imaginar) depois.
A questão é que, como eu já disse, isso é culpa das férias. Quando as aulas começam, tenho com o quê ocupar a mente vazia. Ou então estou mesmo muito cansada e realmente durmo a noite inteirinha.
Mas as más línguas dirão que toda essa baboseira desinteressante que escrevi e que realmente acontece é fruto da adolescência. Para ser mais precisa, fruto da carência dessa maldita, quer dizer, famosa época.
Vamos culpar as férias.
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Ao fim, a cara de vocês de "maior besteira que eu já li na vida". Fazer o quê, né?

domingo, 23 de dezembro de 2012

É sobre o quê?


É sobre perdoar quem te magoou um dia. Vamos lá, sei que você consegue. Esqueça das lágrimas, lembre-se dos bons momentos, quera-os novamente para si e perdoe. Sua parte terá sido feita.
É sobre dar amor gratuitamente. Você vai dizer que ama por motivo nenhum e vai desejar felicidades mesmo sem ser aniversário de ninguém. Vai abraçar e querer ficar assim. Vai pegar na mão e ensinar a dançar; mesmo com os tropeços e pisões no pé, vai continuar incentivando, vai continuar ali... Amar é assim.
É sobre lembrar dos bons momentos do ano e ficar ressentido. Será que coisas tão boas assim podem acontecer de novo? Mas elas vão acontecer, é claro que vão. De novo e de novo, porque essas coisas dependem de você e, já que você as quer, elas são todas suas, meu bem.
É sobre abrir o coração. Vai lá, e diz como ama aquele sorriso, como odeia aquelas piadas. A vida só precisa de pequenos atos de coragem para melhorar. 
É sobre dar presentes e, ao mesmo tempo, ganhá-los, porque todos nós sabemos que aquele sorriso enorme de satisfação quando a pessoa abre o presente que você a deu é um presente e tanto.
Natal é sobre essas coisas, e não é segredo para ninguém que é a minha época preferida do ano. Eu me envolvo completamente com o espírito e fico incentivando todos a perdoarem e se alegrarem, porque... e daí se tem contas para pagar, e daí que a pia entupiu, e daí que a internet está lenta, e daí que você perdeu o filme que ia passar às dez? É Natal. É Natal e temos uma casa, temos pessoas que iriam ao céu e buscariam estrelas para nos dar, somos uma família. Mesmo que não seja perfeita, é a única que temos. Então, pelo menos agora, vamos esquecer as contas, a pia, a internet e o filme. Vamos lembrar que temos o que agradecer.
E, vejam bem: mesmo que ninguém jogue os jogos que eu levo, mesmo que ninguém cante as músicas do karaokê, mesmo que ninguém tente uns passos malucos de dança, mesmo que ninguém espere pela meia noite, mesmo que ninguém queira bater tantas fotos quanto eu, mesmo que eu não tenha nem árvore para montar, eu amo o Natal. Amo, assim de um jeito meio inexplicável. Porque, durantes uns míseros minutos, a família se reúne e me dá uma vontade de chorar quando eu vejo todos ali, abraçando-se, ainda que esteja bem longe da meia noite (todos dormem cedo, ninguém me escuta dizer "o Natal é só depois da meia noite, minha gente". Amo todos, juro, mas me dá uma raiva!).
Não entendo tanto amor por uma época, por isso deixo as explicações para pessoas mais inteligentes que eu.
Feliz Natal para o mundo. E que ninguém esqueça o leite e os biscoitos do Noel, por favor.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O sociopata

Escutou um barulho de porta se abrindo vagarosamente, sempre teve bons ouvidos. Mas, espera; lembrou-se que o João não levara a chave.
Levantou-se furtivamente, fazendo o maior silêncio possível. Só podia ser algum bandido, a redondeza estava cheia deles. Deixaria levar tudo, se não desse tempo ligar para polícia. Pensando isso, enfiou no bolso do casaco que estava vestindo seu celular, o qual deixou no chão ao seu lado para conferir a hora enquanto dava um pequeno cochilo – seu último, coisa que ela não poderia imaginar.
Descendo as escadas, ela encontra alguém totalmente improvável. Nem lembraria do seu rosto se não tivesse boa memória, pois só o vira uma única vez, a duas semanas atrás, quando discutiram feio ao ele bater no seu carro e se recusar a pagar pelo prejuízo. Um deplorável machista.
- O que você faz aqui? Como conseguiu entrar aqui? Vá embora ou eu chamo a polícia. 
- Acho que não vai dar tempo para a última opção. 
Não existem palavras para descrever quão grande foi o seu assombro quando viu aquele velhote armado. E com uma faca da sua própria cozinha, que afiara noite passada!
- Espera, o que você quer? O que vai fazer comigo? Podemos conversar.
- Não, nós não vamos. Mas, por generosidade, deixo-lhe um conselho para a próxima vida, caso ela exista - e com um sorriso diabólico nos lábios continuou em tom apreensivo: - Nunca se meta com uma pessoa antes de saber do que ela é capaz, meu bem.
Mal pôde conter o horror que aquelas palavras a causaram. Rapidamente correu para o seu quarto. Mas estava fraca, o sangue latejava em sua cabeça, sentia arrepios e tremores nos membros, tudo rodava. Ela correu o mais rápido que pôde até seu quarto. Contudo, não foi rápida o bastante, não conseguiu fechar a porta, não conseguiu discar o número de alguém no celular, seus dedos não acertavam as teclas. 
- Não, não; isso não pode - tirou o celular da sua mão, abriu-o, tirou o chip e quebrou em pedaços. Depois, com a mesma ignorância, despedaçou o celular pisando em cima dele com aqueles pés malditos. - Tem algo para dizer, princesa? Desculpas, por exemplo?
- Desculpas, seu infeliz? Você estava bêbado, bate no meu carro e vem reclamar que eu não tenho direitos porque sou mulher e você é homem? Duas semanas depois, entra na minha casa, pega uma das minhas facas e diz que vai me matar? Temos um nome para você: sociopata! Você precisa de tratamento.
Ele ri, mas não é uma risada muito agradável. 
- Não me interessa o que você acha de mim, já que vai deixar de achar qualquer coisa daqui a alguns instantes. Mas preciso fazer as coisas direito, não é?
Ele põe no lugar todas as coisas que ela derrubou ao correr desesperadamente, pega um lápis e, na parede, escreve em letras de forma: "EU SINTO MUITO". 
- O que diabos você está fazendo?
- Planejando seu suicídio. 
Ele faz tudo como se já tivesse feito aquilo antes, o que não dá para duvidar que tenha acontecido. Limpa suas digitais da escada e de todos lugares em que pegou, inclusive da faca. Vira-se para ela e, com a maior serenidade do mundo, diz:
- Agora, corte seus pulsos. Só precisa corta um, se isso acalmar mais um pouco você.
- O quê? Você ficou louco? - vociferou, pondo para fora toda a repulsa que sentia daquele homem. Tanta gente no mundo para bater no seu carro, e logo um perturbado mental com sede de sangue o faz.
- Certo. Faço eu, então. 
Ele nem esperou que ela dissesse algo. Com a faca afiada, cortou seu pulso com toda a força. Sua mão pendia quando ele se foi. 
Ela teria segundos? Por quanto tempo ainda conseguiria raciocinar? E quando o João chegasse e a visse morta?
João! Lembrou dele e da briga mais cedo. O que ela dissera? "Tudo é culpa sua". Sim, ela disse! Mas que inferno. Não, ele não iria pensar que ela se matou por causa disso. Eles já brigaram antes... Deus, o que fazer? Teve uma ideia e sentiu repulsa assim que ela veio à sua cabeça, mas não tinha tempo. Tinha que ser.
Seu sangue já se espalhava por quase todo o quarto, mesmo que ela estivesse apertando firme a mão com a blusa. Meteu seu dedo na poça de sangue e escreveu um "n" na parede, seguido de um "ã", "o", "f", "o", "i", "s", "u"...
Não, não, não. Seu corpo precisava de sangue, seu coração precisava de sangue, e ela não o tinha! 
Quando João chegou, tal era o estado do quarto: existia sangue por toda parte, um corpo pendia da cama e, na parede, lia-se: "Não foi su". Uma frase interrompida pela morte.

- Meu senhor, sabe o que possa significar aquela última frase? Achamos que talvez ela quisesse escrever "suicídio". Mas alguém que quer se suicidar muito dificilmente se arrepende, porque geralmente não se tem tempo para isso. É como se ela tivesse se suicidado contra a própria vontade, o que não faz sentido - falou o policial a João, e continuou: - Já temos uma teoria. O suicídio foi planejado. Ela escreveu o "eu sinto muito" na parede e, depois, cortou o pulso. Mas esqueceu de algo, algo que precisava ser dito a qualquer custo. Ela estava fraca e o lápis estava longe, então teve a ideia de escrever com seu próprio sangue, mas não conseguiu acabar. Não faz mesmo ideia do que possa ser?
- Não, seu policial, não faço ideia. E isso acaba comigo...
Quando chegou ao quarto, a primeira atitude de João foi chamar a polícia. Não havia mais jeito para ela, estava morta a algum tempo. Ele sabia que tinha alguma coisa errada! Ligava para o seu celular e escutava que aquele número não mais existia. Ela não ficava sem falar com ele, mesmo quando brigavam. O que foi que ela tinha dito? "Tudo é culpa sua, João. Tudo."
Ele pensou na frase inacabada e, de repente, teve certeza do que ela significava.
- Ei, policial, espere! - gritou quando este já estava para dar partida no seu carro. Depois do acontecido, o policial pediu para João ir para casa e se acalmar que depois passaria lá para alguns esclarecimentos de praxe. - Pensando bem, sei o que ela queria ter escrito.
- Sim?
- Nós brigamos hoje mais cedo, nada grave, brigas normais de casal. Ela me dissera que todos os nossos problemas eram minha culpa. Que ela sempre tinha que consertar o que eu fazia, que sempre tinha que ficar me repetindo as mesmas coisas... - continuou o pobre homem, engolindo o choro: - Tenho certeza que ela queria ter escrito "não foi sua culpa" naquela parede, como um tipo de mensagem para mim. Ela não se mataria por causa de uma briga que tivemos, agora eu tenho certeza e isso me conforta. Não sei o que possa ter acontecido para ela fazer uma coisas dessas, mas pode apostar que deva ter sido muito grave. Desculpa não poder ajudar muito, mas só estávamos juntos há dois meses.
- Seu... - e, olhando nas suas anotações - João, obrigado. Sua dedução bate com os fatos. Qualquer novidades nós o comunicaremos. Não se preocupe, tudo será esclarecido. Tenha uma boa noite.
Boa noite. Disse isso como se fosse possível.
A notícia saiu em tudo que foi jornal. Da manhã, da tarde, da noite. As amigas dela foram entrevistadas. Ela era uma pessoas muito legal, sociável, que ajudava todos. Que pena a sua morte! Não, ninguém sabia o que a fez cometer tal ato. Era uma pessoa de bem com a vida, não usava drogas, não estava com a auto-estima baixa, não apresentou mudanças comportamentais nos últimos dias.
Talvez se uma dessas amigas, uma só, tivesse se lembrado de uma certa discussão com um motorista bêbado a duas semanas atrás, o caso tivesse sido esclarecido. Mas ninguém lembrou, ou, se lembrou, não achou relevante relatar.
Infelizmente, não foi dessa vez que o sociopata teve o que merecia. Estava livre. Livre para beber e bater em carros novamente.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Um texto dedicado somente à nossa insignificância


Eu estava assistindo a um documentário maravilhoso sobre a evolução humana em um canal aleatório quando, em um comercial, um homem, também aleatório (mentira, ele parecia famoso, mas meu cérebro se recusa lembrar seu nome), começa a divagar sobre a nossa insignificância, assunto de meu interesse maior.
Depois que ele acabou seu discurso, rabisquei umas expressões chaves num caderno e já estava começando a redigir meu texto argumentativo sobre algo que realmente me interessa quando o documentário recomeça e eu decido, por fim, assisti-lo e escrever aquilo outra hora.
Mas eis que eu não me lembro. Tempos depois, olho o caderno jogado em cima do sofá e tento organizar aquelas expressões desconexas numa tentativa falha. Perdi todas as ideias que eu tinha em mente. Desde então, não tentei mais escrever nada porque eu estava ocupada devorando três livros em três dias - meu grande defeito: gula literária. Bem feito para mim, inclusive, que não consigo dar um tempo num livro e acabo com qualquer um novo que compro em poucas horas e passo os próximos dias sem nada novo para ler, tendo que recorrer à releitura dos meus exemplares favoritos, mas, para mim, nada substitui a magia de ler um bom livro pela primeira vez. Não, a magia não desaparece na centésima leitura, só diminui consideravelmente.
Mas não vim dedicar meus minutos comentando meus defeitos. O último desses três livros foi A Culpa É das Estrelas. Estava quase arrancando meus cabelos por ele.  Acabei de lê-lo a pouco e, para quem já o leu, sabe que o livro trata muito bem acerca do tema central desse texto: a nossa insignificância.
Tive que imediatamente liga-lo àquele homem do comercial. Estou com essas benditas palavras nas pontas dos meus dedos e agora, antes que elas percam o nexo, vou expulsá-las. Lá vamos nós.
Eu acho que todas as pessoas deveriam tomar consciência de sua insignificância. A palavra pode até parece maldosa à primeira vista, mas é isso que todos nós somos: insignificantes. Há quem não concorde comigo, mas não me julguem antes de ler minhas convicções por completo.
Cada um de nós compartilha ambições com outras 7 bilhões de pessoas – precisamos contar com as 98 bilhões (e continue contando) já mortas? Vivemos num planeta que está numa galáxia que é só uma dentre bilhões. E só vivemos porque somos aquecidos e iluminados por uma estrela dentre trilhões. Somente isso já faz alguém curioso pensar.
Os argumentos das pessoas positivas é que podemos deixar algo neste mundo. Um professor já me disse isso uma vez, quando eu tentava convencê-lo de que a vida é injusta. Mas, gente, vamos refletir. Algo que eu já pensava antes de ler o livro que é exacerbado mais ainda depois da leitura é o pensamento de que, sim, claro, deixaremos coisas nesse mundo. Seremos lembrados por muita gente (ou talvez não) e, quem sabe, até marcaremos a história de um jeito positivo (uma das minhas ambições que é só mais uma dentre tantas nesse mundo). Porém, essas pessoas também vão morrer um dia. E, mesmo que elas comentem sobre nós com seus filhos, esses filhos também vão morrer e assim sucessivamente. Por isso notem quão irônica é a frase: “lembraremos de Fulano para sempre”, dita constantemente, dando ideia de que a pessoa que a diz é imortal ou algo assim.
Eu vou continuar com a minha ideia de contribuir com alguma coisa para com o mundo. Fazer história. Mesmo que ninguém lembre. Por isso, lendo o livro, eu me senti sendo o Augustus Waters. Eu me apaixonei pelo garoto primeiro do que a Hazel, juro. O que não é uma coisa legal, levando em conta o fato de que ele não existe. O Gus (se a Hazel o chama assim, eu também posso) traduz tudo o que eu sinto e penso na maioria das frases que saem da sua boca. Ele sonhava alto e queria realizar algo, morrer por algo, pois ninguém lembra de quem morria de. E, no caso, ele tinha câncer. Agora, eu me imagino nele: tantos sonhos impossibilitados de se realizar por uma droga de doença que o mataria a qualquer dia. Ele era um efeito colateral, como se diz no livro, um simples erro de mutação - essa mesma que permitiu ser quem somos hoje: seres diferentes e complexos.
Não tenho câncer, felizmente. Mas minhas possibilidades de alguém lembrar do meu nome daqui a mil anos não se ampliam. Daqui a mil anos, talvez nem a espécie humana exista mais sobre a Terra. Talvez meteoros tenham acabado com tudo, o sol tenha explodido ou a profecia dos Maias se concretizado. Não vai existir ninguém para lembrar de Cabral, Gadhi, Hitler ou muito menos de mim. Todos nós vamos ter sido esquecidos, no fim. Seremos, então, todos iguais, tratados como um todo. Homo sapiens. Que se diferenciaram dos outros seres vivos por pensarem e entenderem a sua condição. Mas como é que se diz? "A ignorância é uma bênção".
Faço minha as palavras da Hazel dirigidas ao Gus quando ele diz que tem medo de ser esquecido: "E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá".
É melhor nos preocuparmos com coisas relevantes, também concordo. Mas eu só acho interessante. O universo nos deu o dom de compreender, mas não o dom de modificar. Então a gente fica aqui, com as nossas vidas que no fim não serão lembradas, tentando achar um sentido para tudo isso, tentando nos lembrar que não vai ser em vão mas, mesmo assim, no íntimo, saber que vai... Pensando numa forma de tornar as coisas mais justas e perceber que não há meio. 
A vida é uma dádiva. Digo, qual a probabilidade de tudo isso acontecer novamente? Só um meteorito que fosse, um predador inesperado e não estaríamos mais aqui. Se os dinossauros não tivessem desaparecido a milhões de anos atrás em decorrência de um meteoro qualquer, eles teriam dizimado os mamíferos e a vida hoje seria totalmente diferente. Eu poderia passar horas escrevendo sobre a sorte que tivemos por driblar mil e uma eventualidades e riscos de extinção e estarmos hoje aqui, mas não quero cansar ninguém.
Então, como eu ia dizendo, a vida é realmente uma dádiva. Contudo, é tão injusta. Tão incoerente e desconexa na maioria do tempo. Às vezes, eu penso que ela não deveria nem existir. 
Porém, recorro da minha decisão porque eu amo a vida, apesar de tudo, e concordo em gênero, número e grau com a frase "a ignorância é uma bênção", de seja lá quem foi que a disse primeiro. Somos insignificantes, mas viveríamos melhor sem saber disso. Pelo menos no meu caso.
Se fosse assim, eu não perderia horas de sono escrevendo um texto que ninguém vai lembrar que foi escrito um dia, que vai se perder nas fendas do tempo, que não vai ser traduzido para outras línguas nem associado ao meu nome, por exemplo. 
Mas eu consigo sobreviver com isso. 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Nunca será tarde



O sol está se pondo. Esperei e ele não veio. Vi o sol forte ir perdendo sua luz paulatinamente, descendo cada vez mais para fundir-se à linha do horizonte. O vento estava gostoso embaixo da árvore, por isso acredito que a ida não tenho sido vã.
Ele sempre soube que eu odeio atrasos.
- Vou estar lá antes do sol se pôr – disse-me, depois de ter me convencido com muita insistência.
O céu foi mudando a sua cor e eu nem notei, tão absorta que estava. Ele não veio. O que isso significava?
Já estava decidida a ir embora quando ele apareceu. Sem explicações. Apenas sentou ao meu lado sem dizer palavra.
- Sinto muito, mas eu já vou – quebrei o silêncio.
- Não quer conversar?
- Agora é tarde. O sol já se pôs.
Levantei-me e comecei a andar a passos lentos de volta para casa. Ainda escutei quando disse:
- Ele se porá novamente amanhã, Marina. E depois, e depois... - e acrescentou: - Nunca será tarde, lembre-se disso.

sábado, 24 de novembro de 2012

As 7 coisas que quero fazer antes de morrer, mas que provavelmente não farei





1. Aprender francês
Não existe língua que eu ache mais bonita que o francês. É muito culta e requintada. Depois, me lembra Paris, que é a cidade mais charmosa do mundo na minha opinião. Se você fala francês, pronto: já sou sua fã. Não sei falar nenhuma palavra sequer, e tenho a maior vontade de aprender. Mas aprender uma nova língua é muito difícil, eu sei disso porque venho tentando aprender inglês faz um tempo e estou ainda longe da fluência. Além do mais, vou ter que gastar com livros e muito possivelmente com cursos, porque já tentei ser autodidata, mas comigo não dá! Então, como não é uma necessidade, já que com o inglês eu me viro em qualquer lugar do mundo, provavelmente eu fique sem saber falar. Ser bilíngue já está de bom tamanho, mesmo o francês sendo lindo de morrer...



2. Ter minha biblioteca
Aqui em casa tem um quarto sobrando e eu quero muito dar uma reformada geral nele. Comprar umas estantes, pôr um papel de parede bem fofo, forrar, comprar um ar-condicionado, colocar uma cortina preta na janela, um tapete para o quarto inteiro e umas mesas com cadeiras. Ela já tem até nome: Pequenos Prazeres. Mas para isso eu preciso começar a trabalhar e juntar bastante dinheiro, porque para minha mãe eu preciso de coisas mais importantes que uma biblioteca. Pode até ser que sim, mas de qualquer maneira eu sonho com uma. Daqui que eu me forme e ganhe meu próprio salário, acho que esse desejo já vai ter passado (junto com o tempo de sobra que tenho para ler), então é possível que eu nunca tenha uma biblioteca para chamar de minha.


3. Ficar bêbada
Não é um desejo do qual eu me orgulhe muito. Entretanto, pelo menos uma vez na vida, queria sentir a sensação de não saber quem sou nem onde moro. Esquecer que eu tenho uma vida e responsabilidades. Queria sentir a sensação de não me lembrar do que fiz - mesmo sabendo que não é uma das mais gostosas. Só que, como dizem, eu sou certinha demais. E é verdade. Minha consciência não me deixaria fazer tal coisa. E, além do mais, vai que vira vício? Eu ainda amo meu fígado.


4. Ganhar um Nobel
Ganhar um Nobel é uma coisa que quero há muito tempo - seja ele de Medicina ou de Literatura. É pedir demais e sonhar muito alto, então está bem óbvio o motivo pelo qual esse tópico entrou para minha lista. Acho que a emoção de ganhá-lo deve ser comparada somente a de ser mãe.


5. Chegar ao século XXII
Se eu consegui essa proeza, já vou ter passado dos 100. Não sei porque eu tenho esse desejo, talvez só para dizer que eu nasci no XX, vivi a maior parte da vida no XXI e morri no XXII, ou seja, presenciei 3 séculos diferentes! Acredito não ser impossível, a medicina até lá já deve ter evoluído bastante. Quem sabe não encontrem o segredo para vida eterna? Mesmo achando que ele não existe e que é um tolo quem desperdiça seu tempo o procurando, se, por ventura, encontrarem, sou eu uma das primeiras pessoas a ingerir, usar ou sei lá, devido ao meu eterno medo da morte. Já devo ter falando dele alguma vez por aqui. Não há coisa que mais me assuste que a morte. Mas, no fundo, acredito que isso só seja consequência da adolescência e que um dia passará.


6. Gravar uma música
Eu canto horrivelmente mal e tenho plena consciência disso. Porém, acho que em alguma vida passada fui cantora. Só isso pode explicar o quanto eu gosto de cantar. Eu canto fazendo qualquer coisa, a qualquer hora. Se eu fosse, pelo menos, um tantinho afinada, talvez arriscasse na carreira, mesmo sabendo que se tornar uma cantora famosa nesse mundo cheio de talento é quase impossível. Quando, nos meus shows, eu visse aquela multidão cantando algo que compus, acho que não ia aguentar e começaria a chorar. Mas se bem que gravar uma música nem é lá grande coisa, hoje qualquer um mais ou menos grava, só ter dinheiro. E com todos as artimanhas que se têm, é possível até que fizesse minha voz parecer boa. Mas não, devem cobrar muito caro e não vou gastar meu dinheiro só por capricho.


7. Conhecer meus antepassados
Só o título me emociona. Conversei com meu professor de história sobre, e acredito ser uma tarefa bastante difícil. Seria fácil até a parte de ir a cartórios daqui mesmo, mas quando a coisa ultrapassasse os limites nacionais, o que certamente ocorreria, a coisa ficaria mais complicada e custosa. Eu tenho a maior vontade de descobrir de quem eu sou descendente. Alguém famoso, que tem seu nome nos livros de história? Foi servo, senhor? Plebeu, nobre, burguês? Rei, escravo? Queria conhecer o nome, a história das pessoas. Na verdade, toda a minha linhagem. Eu tive uma professora de história que uma vez me disse que eu devo ser descendentes de vikings, por causa do cabelo. Isso me mata de curiosidade! Talvez um dia eu ainda arrume dinheiro, vontade e tempo suficientes e saia nessa louca aventura de descobrir como viveram meus antepassados. Não se preocupem: se conseguir, escrevo um livro. Sendo baseados em fatos reais, daria um bom best-seller e, quem sabe, adaptações para o cinema. É uma ideia a se pensar.

domingo, 18 de novembro de 2012

Minha primeira - e talvez última - biografia

Eu acho uma beleza ler biografias de pessoas que de algum modo subiram na vida. Ler, ok? Não escrever.
Mas aí o professor me pede para escrever uma autobiografia. Eu teria me saído melhor escrevendo sobre qualquer um, menos sobre mim mesma. Porque eu estou aqui, do lado de cá. Eu não me vejo. Não me escuto. Não me julgo. Se não me alertarem, posso até não perceber que fiz coisa errada.
Além do mais, o que eu tenho para escrever sobre mim? Eu mal comecei a viver, não faço nada de interessante e, acreditem, sou muito chata. 
Então, fiquei me matando de pensar, perguntando a minha mãe o que eu tinha feito com tal idade e olhando fotos. Descobri que não foram quinze anos totalmente perdidos (quer dizer, 16 daqui a dois dias).
ok, estou ficando velha, mas parabéns para mim
Lembrei que aos três anos a escola era a minha pior inimiga (sim, eu lembro vagamente). Chorei horrores durante os primeiros dias, mas depois eu queria ir para lá até nos fins de semana. Mais velha que isso um pouco, eu costumava fingir que lápis eram pessoas. A brincadeira tinha toda uma lógica inventada por mim, coisa de filha única que não tem com quem brincar (na verdade, tenho irmãos, mas sempre morei sozinha com a minha mãe). Eu juntava várias caixas de coleções e agrupava os lápis de mesmas cores em "famílias". Aí saía apontando uns para eles ficarem menores e serem os filhinhos. A bolsinha de lápis era o carro escolar que levava as criancinhas para a escola. Sem contar que existiam namoricos. Geralmente, as coleções azuis namoravam com as rosas e as verdes com as laranjas. Enfim, vocês podem acreditar ou não, mas eu chegava a passar tardes inteiras entretida com os benditos lápis. 
Eu amava mais que tudo ver minhas primas para brincar de escolinha. Era o máximo para mim elaborar e corrigir provas, mas a brincadeira nunca durava muito porque eu a levava muito a sério. Como eu era mais velha um pouco, tinha uns conhecimentos a mais e fazia provas "difíceis". Queria porque queria que as meninas estudassem de verdade e aí a brincadeira acabava. Por isso que acho que não tenho jeito para ser professora. Eu iria ser muito má, seria odiada por todos os alunos. 
Minha formatura, aos 7 anos, foi cômica. A gente tinha ensaiado coreografias de várias músicas e a saia que eu estava por baixo do vestido era folgada demais para mim, então eu ficava a subindo toda a hora. Subia mais a saia do que dançava! Mas foi muito lindo, mesmo naquela idade, ver minha família na plateia. Mesmo que eles não tenham ficado até o fim, fiquei em êxtase por saber que tinham ido só me ver.
Eu fazia umas poses engraçadas ao bater fotos, tem uma em que eu pareço estar com o pescoço quebrado de tanto que eu o inclinei para o lado. 
E o que falar sobre a primeira vez em que me mudei? Quer dizer, segunda. Na primeira vez, era um bebê. Fiquei lendo histórias em quadrinho a tarde inteira enquanto minha mãe com minhas tias empacotavam as coisas. Quase morri naquele dia e chorei demais ao me "despedir" da casa. Fui em cada cômodo para dar um tchau. Sinto muita falta de lá! Quando me mudei tinha uns 8 anos, nunca brinquei com os meus lápis na casa nova, que é, inclusive, a que resido até hoje. 
Eu aprendi muitas coisas nesses quinze anos. Digo, todo mundo aprende, mas o meu caso penso ser um pouco diferente. Eu realmente amadureci, especialmente durante esse ano. Comecei loucamente a me perguntar e querer respostas. Às vezes isso é um problema, mas eu agradeço por não ser uma adolescente "cega", o que é comum nos dias de hoje. As pessoas com quinze anos só querem saber de curtir, curtir e curtir. Esquecem que tem um futuro para planejar. 
No fim da autobiografia, brinquei pedindo desculpas ao professor e dizendo que, quando ganhar meu Nobel (é um sonho antigo: ganhar um Nobel. Medicina ou Literatura. Imaginem só!) alguém escreverá uma biografia melhor que aquela. O que não vai ser muito difícil, levando em conta que ela tinha apenas três páginas e que eu enchi de fotos para ocupar espaço (detalhe: tinha que ser feita em inglês, então mais fotos e menos palavras!).
Não há coisas mais interessantes sobre a minha vida do que essas que relatei (pelo menos, se houver, não me lembro). Minha vida não foi ruim, meus quinze anos não foram ruins, só para constar. Mas eu sinceramente espero que venham anos melhores.
Quando eu ia completar meus quinze, escrevi um texto sobre. Para manter a tradição, estou escrevendo este. Vocês precisam fazer isso também! É tão bom ver como evoluímos sem notar. Os anos passam, eu sei; você vai envelhecendo, mas, com a idade, a maturidade vai chegando e você passa a enxergar a vida com olhos diferentes. Com olhos um ano mais velhos!
A gente pensa que o tempo passa rápido demais. Contudo, é só olhar para trás e ver o quanto seu eu de hoje é diferente do eu de 2011. Um ano, minha gente, é tempo até demais.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

João Pessoa

Fiz essa viagem a uma semana atrás e o que me fez ter tempo para escrever sobre a mesma somente agora foi minha falta de tempo. Só para vocês terem noção, amanhã, em pleno sábado, tenho três provas. Mas, já na quarta, férias! E eu não consigo deixar de achar que tudo passou rápido demais... porém, isso fica para outra postagem. Foco, Luana.
Na quinta feira passada, dia primeiro, levantei às 3 da manhã para minha primeira viagem para fora do estado. Caso vocês não saibam, eu moro em Natal. Sim, isso te lembra as Dunas, um calor dos infernos e buggy. E era uma vergonha para mim, aos 15 anos, nunca ter saído daqui. A única coisa que faço é, de vez em quando, dá um passeio pelas cidadezinhas próximas ou visitar meu tio numa cidadezinha mais longe (onde também está enterrado meu avô). Então, como vocês podem notar, meu nível de animação era 100%. Na quarta à tarde, quando cheguei do curso de inglês, eu estava em êxtase (tá, talvez eu esteja exagerando um pouco). Tudo ia perfeitamente bem quando cheguei, às 4, na escola; até vi as crateras da lua no telescópio do professor de Física, só que aí separaram eu e minhas amigas no ônibus. Umas ficaram num, e eu e outra amiga em outro. Lamentável. Mas deu pra superar.
A viagem não é tão longa assim. Foram umas 3 horas no máximo. Não deu para conhecer muito da cidade porque passamos apenas um dia lá, então não posso afirmar nada com certeza absoluta, mas, ao que me parece, a cidade tem muito verde! Era verde para todo lado, e tudo era muito bem cuidado. Porém, como eu disse, isso pode não ser a verdade, já que a gente conheceu apenas alguns pontos turísticos e esses lugares são os mais bonitos da cidade, a Prefeitura sempre tenta maquiar aqui e acolá para não vermos o que realmente está acontecendo.
Seja lá como for, a nossa primeira prioridade foi conhecer o Parque Zoobotânico Arruda Câmara, e aí sim, eu posso dizer com certeza: o lugar é perfeito. Aqui em Natal temos o Parque das Dunas, mas ele não se compara nem em tamanho nem em beleza o Parque de João Pessoa. Bati tanta foto lá dentro que minha máquina linda descarregou bem na hora da Ponta dos Seixas. Além desses dois locais, fomos a Igreja Nossa Senhora do Carmo e a lindíssima Estação Cabo Branco (vejam que linda é à noite!), projetado por ninguém menos que Oscar Niemeyer!
O sol estava horrendo de tão quente. Não que aqui não faça calor, faz até demais, mas lá, excepcionalmente naquele dia, a sensação térmica devia ser de uns 50º C! Percebi a importância da água, porque quando ela começava a querer acabar, eu procurava qualquer lugar que fosse para comprar mais.
Pode não ter sido tipo "uau" para você que viaja sempre nas férias e, de tanto viajar, não sente mais a emoção de cruzar as fronteiras. Mas para mim, pobre mortal cuja vida resumi-se à escola e ao curso, foi o máximo!
E que a emoçãozinha gostosa de ver o sol nascer e a plaquinha de "BEM-VINDO(A)!" nunca se acabe, porque, please, ela é a mais linda da vida.

Ponto alto: no ônibus, liguei para minha mãe para perguntar se "lá em Natal" estava fazendo muito calor. Gente, que lindo. Nunca tinha dito isso... LÁ EM NATAL. E sim, estava.
OBS.: Escrever essas coisas são tão deliciosas, daqui a certo tempo eu vou ler e morrer de rir pensando "meu Deus, que bestinha que eu era, tanto alarde por uma ida bem ali". Mas que seja. 

Pareço ter 10, mas eu tenho 15, viu, gente?

Quando se sobe as escadas da Estação Cabo Branco, tem-se SOMENTE essa vista panorâmica da cidade.

Amei demais essa foto que bati dentro do Parque. Parece de fotógrafo profissional, cof cof.

O sol nascendo. Eu tava louca pra ver, nunca tinha visto. Consegui essa mísera foto. 

Dentro do Parque Zoobotânico Arruda Câmara.

Lá dentro tinha o que eles chamavam de Recinto das Aves. Notem que fofas!  
Na Estação Cabo Branco, antes da entrada, tem um poço dos desejos ou algo do tipo. Tive que jogar uma moeda. E de 50 centavos!
Por uma vida com mais dias como esse. AMÉM.

sábado, 3 de novembro de 2012

A peça que sobrou


Sou de outro século.
Sou do século em que as pessoas amam sem notar para perna e bunda, que não têm pressa e, por isso, dão tempo ao tempo. Sou do século em que conteúdo é levado em conta, que conversas são interessantes e que beijo é coisa séria. Sou do século em que se pondera muito antes de se relacionar com alguém, que roupas curtas não influenciam em nada e que magreza não é sinônimo de uma beleza estereotipada. Sou do século em que só olho no olho basta, não precisando-se de toque para ter a certeza de que é ali que você quer estar e que é ali que você ficaria para sempre. Sou do século em que existe o real Amor, o original, e não a cópia barata e banalizada de hoje. Sou do século em que os casais não se separam, que em vez de uma troca de beijos desesperados e sem sabor, troca-se poesias, troca-se abraços, confundem-se as almas de tanto se trocarem. Sou do século em que garotas como eu não são desesperançosas com relação ao amor, porque ele deveria valer a pena. Deveria. 
Mas o século de que sou não existe. E eu vivo me perguntando o que estou fazendo nesse mundo; eu, tão frágil, em meio a 7 bilhões de pessoas insensíveis que deram ao sentimento mais bonito desse mundo o valor que tem uma escova de dentes.
Aqui, eu me sinto desconexa. Como se eu fosse de algum jeito diferente - e estou realmente propensa a acreditar que sou totalmente. Como uma peça sobrando num quebra cabeça já completo. 
Então, volto a me perguntar: o que faço nesse mundo?
Às vezes acredito que vim com a missão de mudar. Essa peça - ou seja, eu - pode se moldar totalmente e tentar entrar em qualquer fresta do quebra cabeça e fingir que está feliz assim, ou pode desfazer todo ele para montar novamente, dessa vez diferente, do jeito certo.
Não deixo de achar a última alternativa digna de heróis, de pessoas extremamente corajosas e decididas, que, com muito esforço, mudaram toda uma ideologia. Coisa muito linda, mas para filmes. 
Queria muito me encaixar nessa de ser uma heroína e deixar o mundo perfeito, à minha maneira. Queria ser dessas capazes de morrer para propagar seus ideais. Todavia, essa não sou eu. Não é a Luana com quem convivo durante 15 anos.
De qualquer forma, futura heroína ou não, vou continuar com minhas loucas utopias. Se estou viva, é porque ainda tenho compromissos pedentes aqui. Quem sabe, não é mesmo? Às vezes a gente pensa que se conhece, só que não.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tentando entender

Você está feliz por ter passado o dia de ontem maravilhosamente bem na sua primeira viagem para fora do estado e de repente recebe a notícia que ninguém sabe como lidar: alguém morreu.
São nessas horas que realmente repenso minha vida. E, principalmente, repenso a vida em si. Para quê ela existe? 
Eu não começo um relacionamento que eu sei que não vai dar certo. Eu não escrevo um texto quando ainda não sei do final. Eu não ponho mais comida do que a que eu consigo comer no prato. Aí me vem essa coisa, essa vida, que simplesmente acaba quando não se espera. Que leva alguém que não merecia ir. Que faz sofrer que não merecia sofrer.
Eu não entendo. Logo eu, que sou um poço de teimosia e persistência, que procuro respostas para as menores interrogações da vida, não tenho palavras para tentar explicar o porquê da vida. 
Ela não deveria existir. Se vai acabar, por que começar? 
Tudo bem que você deixa seus ensinamentos aqui, com as pessoas. Mas essas pessoas também vão morrer um dia. 
É uma coisa que me fascina e, de tanto fascinar, me irrita. 
Quem morreu foi um professor lá da escola e, não vou fingir dores maiores do que a dos familiares e amigos próximos porque, além dele não ter sido meu professor, eu mal o via. De vez em quando ele falava algo sobre meu cabelo queimar e/ou brigar sobre o barulho excessivo. Mas mortes sempre me deixam tristes, é inevitável. 
Quando alguém morre, eu passo dias pensando. Não é segredo para quem me conhece que o meu maior medo é o da morte. Só de pensar, um arrepio percorre a minha espinha. De vez em quando chego a chorar, acreditem se quiser! Quase 16 anos e chorando feito bebê, exatamente. 
Antigamente, eu tinha um blog chamado "Minhas Coincidências", só porque eu achava o nome coincidências muito bonito e difícil. Depois de crescer, fiquei em dúvida: será que ela existe ou não? 
Na última aula do curso de inglês, o professor pediu para pensarmos em nosso epitáfio. Na quinta, minha prima disse que, curiosamente, o professor que morreu deu aulas de educação física a todos os alunos naquele dia, mesmo esse não sendo seu papel. Coincidência ou não, a vida é um troço esquisito. Tão esquisito a ponto de me fascinar e me irritar ao mesmo tempo! Logo a mim!
Só sei que ele era muito querido e especial para ir assim, de uma vez. Vai continuar vivo durante muito tempo dentro de quem o amava.
PS.: Meus pêsames a toda uma família e à sua legião de amigos e fãs. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Omissão


Seu melhor amigo tem uma namorada que o trai e ele resolve ir à festa encontrá-la quando tinha dito que não ia. Chegando lá, pergunta por ela no momento em que a mesma está aos beijos com o amante num canto. O que fazer?
No momento, você não sabe. Só sabe apenas de uma coisa: ele sofrerá demais se souber.
Rapidamente, você diz que ela já foi há muito tempo para casa. Num golpe de azar, ele vê pelo o seu ombro a cena que você tanto queria esconder.
Achando que a namorada tinha uma cúmplice, dá às costas e, desde então, já passada uma semana, não quer saber das suas explicações.

Você senta em frente ao computador e decide mandar um e-mail. Ele sempre olhava sua caixa de entrada.

Fulano,
Sei que você ficou deveras chateado pelo que fiz. Quando você chegou perguntando por ela, deveria ter te contado a real história, a que você já sabe. Não fique tão bravo assim comigo a ponto de não querer me ouvir. Leia este e-mail. Assim, pelo menos, você não precisa nem ouvir minha voz, apenas ler minhas sinceras palavras de desculpas. Pois então, desculpa! Você ia descobrir de qualquer maneira, mentir é sempre a pior opção, eu sei, eu sei. Mas, tente entender, eu não conseguiria dizer algo que machucaria demais você. Não ali, naquele momento, com tanta gente em volta. Por favor, não faz assim. Eu sinto tanto, tanto! Realmente espero que você um dia me perdoe. 
Entenda que a gente só protege quem ama. E eu te amo desde o primeiro momento.
Love, (você).

Mas aí você apaga seu último parágrafo e envia. Ele te perdoa, sim, mas nunca fica sabendo.

sábado, 22 de setembro de 2012

Ode aos sonhos


Eu sempre fui uma garota sonhadora, mas nesses últimos dias, santo Deus!, até eu estou impressionada com a minha própria capacidade de passar horas e horas divagando e imaginando coisas incrivelmente boas, que, convenhamos, nunca vão se realizar, porque cês não têm noção de como eu sonho alto... eu admito para mim mesma sempre: não vai acontecer. Mas já que não vai acontecer realmente, acontece em sonho sempre que eu quero e é isso é muito bom, minha gente. Pensem o quão horrível seria uma vida sem sonhos. Aliás, sem sonho, viver para quê, não é mesmo? 
Acredito que sonhos podem virar realidade, sim. Mas existem os sonhos inteligentes e os burros. Os inteligentes sempre é possível alcançar. Agora, os burros... 
Isso de que todo sonho é possível é uma mentira das grandes, nunca vou dizer isso para meus filhos. Imagina se eles começam a sonhar que querem ver a Terra sendo invadida por pandas gigantes. Esse, com certeza, é um sonho muito burro.
Classificações à parte, todos nós sabemos que sonhar é tão necessário quanto respirar. É o que impulsiona cada um, é o que dá forças para continuar existindo e não se jogar de uma ponte nos maus momentos. Nós aturamos os professores chatos, os trabalhos intermináveis, os colegas invejosos do trabalho e coisas muito piores que isso só por um motivo: fazer o sonho se transformar em realidade, seja ele qual for.
Meu primo, por exemplo, tem o sonho de comprar cem reais só de balinhas um dia. Minha mãe, quando criança, queria uma caixa inteira de chiclete. Esses são exemplos de sonhos inocentes, sem nenhuma ganância e que parecem idiotas para gente, porque a idade já corrompeu nossa inocência. Mas, quando éramos crianças, fazíamos os deveres e arrumávamos a cama somente para ganhar aquele brinquedo e ir ao circo. 
Já nascemos sonhando. O ser humano é um sonhador, sempre foi. Não há dia em que cada um de nós não tenha um sonho, inteligente ou burro. E desde o dia do nosso nascimento, estamos lutando para conquistar o que se sonha. Alguns vão conseguir, outros não. E ambos vão continuar sonhando, uma vez que temos tendência a isso, é algo que fazemos tão naturalmente que nem sentimos, sonhamos mil vezes ao dia e nem notamos. Podemos até fazer uma analogia com o piscar dos olhos. Fazemos isso sempre, mas nem atentamos para tal.
Sonhar é maravilhoso! E melhor ainda: é de graça. Por isso não seja modesto ao sonhar, sonhe mesmo! Mas tenha na consciência: sonhos burros são burros, ficam só na cabecinha mesmo. 
Sonhar é excepcional! E melhor ainda: sonhos são privados. Você pode ter suas milhares de fantasias sexuais com o bonitão da novela e ele nunca vai saber!
Sonhar faz bem! É uma ioga para a alma, acreditem, eu sou a voz da experiência quando o assunto é sonho.
Agora, detalhe: sonhe apenas coisas boas. De coisas más o mundo está cheio, então, se quer ver desgraça, basta abrir os olhos. Só não contamine seu cérebro com o que ele não merece ser contaminado.
Ainda não é noite, porém bons sonhos!

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Essa frase é a minha cara, e só eu entendo o porquê! MUAHAHAHA

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

E foi

É engraçado quando você acha que não vai e acaba indo.
Nesses últimos dias, eu andei muito ocupada e sumida principalmente por um motivo: feira de ciências. Esse ano, depois de muita mudança de tema e insatisfação por minha parte, nossa sala ficou encarregada de criar um Parque Ecológico.
Vejam só, longe de mim essa história de pensar negativo e ser pessimista, mas no começo essa ideia não me agradou nenhum pouco. Tinha certeza de que ia dar problema. Mesmo irritada por ninguém me dar ouvidos, mesmo eu gritando a plenos pulmões "isso não vai prestar", fui na onda dos meus colegas - já que não tinha escolha mesmo - e colaborei com esse projeto sem pé nem cabeça.
Porque, no início, nós iríamos falar de Química Verde, algo dentro da temática da escola (Meio Ambiente e Sustentabilidade) e bem mais fácil de se trabalhar. Só que não, vieram com essa ideia de criar uma espécie de floresta dentro da sala! Coisa que tinha tudo para dar errado. Então eu repito: tem coisa que você acha que não vai e acaba indo.
E foi. Foi um sucesso. A Feira foi nessa sexta passada e na quinta saímos às ruas para catar galhos secos, folhas, pedras e o que conseguíssemos.
Alugamos uma fonte; trouxemos vários bichinhos de pelúcia para espalhar pela sala; compramos umas espécies de galhos secos para decorar as paredes (galhos esses que custaram incríveis 70 reais!); fizemos uma trilha com areia no chão, indicando por onde as pessoas deveriam passar; iluminamos a sala com refletores verdes; alugamos umas árvores de mentira feitas de esponja; trouxemos uns bancos de madeira que ficavam no pátio; colocamos um som com o canto dos pássaros e espalhamos folhas e pedras por todos os lugares.
Assim, até que deu muito certo. Todo mundo queria entrar para conhece a tal floresta criada pelo 1º ano B. Mas isso só foi possível porque dessa vez todos ajudaram, principalmente nossos monitores. Todo mundo contribuiu com algo, mesmo eu achando que não ia ser assim. Aí eu fico pensando como a gente consegue fazer a diferença quando quer. O problema é que nem sempre queremos, colocamos mil e um obstáculos à frente e não vamos atrás, por isso dá errado.
Mesmo com a pele irritada de tanto sol que levei catando galhos por aí, eu me sinto feliz por ter dando tudo certo e por ter aprendido um bocado. Vou colocar mais fé nas coisas e nas pessoas daqui por diante. E, além de ter ganhado ensinamentos com isso, aposto que as notas que os professores deram foram ótimas, obrigada. E de sobra eu ainda fui filmada e vou ficar eternizada no arquivo pessoal do diretor, vê se pode?
E eu achando que a coisa não ia.

P.S: Essa postagem ia sair bem antes, no domingo, só que aí eu esperei um pouquinho para ver se alguém lá da sala tinha a foto perfeita, que desse um "tchan" e traduzisse o momento. Só que aí ninguém tinha e eu fiquei pensando em postar um vídeo que eu fiz pela câmera não muito boa do meu celular do momento em que estávamos arrumando a sala. Hoje, infortunadamente, eu descobri que a escola não quer que divulguemos vídeos e/ou fotos da arrumação ou desarrumação da sala, não querem que nós mostremos o que se passou por "trás" de tudo, não me perguntem por quê. Daí eu fiquei sem foto. Mas ainda vou dar uma pesquisada melhor nos facebooks alheios e, achando A foto, atualizo o post. Por ora, imaginem com suas menteis férteis o que por mim foi descrito. 

domingo, 12 de agosto de 2012

As flores que não eram minhas

Ele estava lá, sentado na beira da calçada tarde da noite, o cinema quase fechando. Seus olhos aflitos olhando o relógio, acompanhando o andar dos ponteiros. Tinha um buquê lindo numa das mãos. Pela expressão, parecia estar ali há horas, mas não arredava o pé. Continuava olhando o relógio e segurando fortemente aquelas flores. Não podia dizer no que pensava, contudo meu coração ficou pequenininho ao ver aquela cena. Casais entrando e saindo e ele esperando, suponho eu, por sua cinderela que se esquecera do encontro. 
As lojas ao redor já estavam todas fechadas, pouca gente circulava pela rua, o grande movimento era só dentro do cinema, que fechava suas portas tarde. 
Dentro do ônibus, que estava parado esperando o sinal abrir, presenciei aquela cena pela janela e imaginei mil e uma coisas. Quem seria ele? Por que ainda esperava? 
O sinal abriu e o ônibus arrancou. Continuei olhando e daquela imagem fez-se um borrão, o motorista estava apressado. Mesmo assim, guardei cada detalhe na cabeça e continuei imaginando coisas. Para quem seriam aquelas flores? Impossível dizer. 
De uma só coisa eu tenho certeza: não eram minhas. Porque, ah, se fossem...

sábado, 11 de agosto de 2012

Tem de tudo

Eu odeio política. Não entendo nada e nem faço questão de entender, mesmo sabendo que, como boa cidadã que deveria ser, precisaria saber de algumas coisas básicas. Mas sem chance. Pelo menos por ora, porque estou por aqui com quem rouba o meu dinheiro e compra jatinho particular.
Eu tinha onze anos e uma cabecinha oca. Influenciável como era, deixe-me levar pela onda de familiares e fiz campanha feito louca na eleição para prefeito daqui. Sério, eu era fanática. Ia à passeatas, pegava panfletos jogados na rua e distribuía, colocava pôsteres na parede do quarto e levava minhas primas - menores e mais influenciáveis ainda - na tal onda também. Ganhou quem eu queria, muito legal. Só que aí eu percebi que as promessas não eram cumpridas, nada de bom acontecia e as coisas ao meu redor só pioravam. 
Dois anos depois eleição para presidente e lá vou eu novamente fazer campanha como se ganhasse um salário para isso. Dessa vez quem eu queria que ganhasse não ganhou. 
Lembro que quando era menor sonhava em ser criança para sempre. Versão feminina do Peter Pan. Mas hoje eu vejo que crescer foi uma das melhores coisas que me aconteceu. Eu abri minha mente e deixei a ignorância de lado. 
Mais crescidinha e consciente do mundo à minha volta, prometi nunca mais gastar saliva e tempo com política. Vou votar sempre em branco quando tiver idade e fim. 
Isso tudo para relatar o acontecimento de ontem, na minha falta de criatividade para mais qualquer outra coisa:
Antes de tudo, eu estou doente desde ontem pela manhã. Fui à escola só para gripar, porque todas as minhas amigas resolveram combinar de ficarem doentes na sexta. Fui ao curso à tarde mesmo doente e, na volta, enquanto eu andava feito lesma, vi que estava tendo uma passeata com câmeras, gritos, buzinas, placas e afins. Até que o próprio candidato se põe à minha frente pedindo voto. Eu digo que não tenho idade para votar ainda e ele, com um sorriso de orelha a orelha, aperta minha mão e, com o cinismo característico, diz que posso conseguir votos.
Mas era só o que me faltava. Essa gente sabe apertar a mão e sorrir quando quer voto, mas cumprir o que promete que é bom, nada. Voltei para casa sorrindo porque aquela cara hipócrita era muito engraçada. Não tentou esconder em nenhum momento que está desesperado por votos.
Contudo, espero que ele tenha o hábito de lavar as mãos ou que, pelo menos, tenha as defesas fortes, senão, ao invés de conseguir votos, vai conseguir é uma gripe das brabas. 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A virgem

Maria Rita sempre tivera uma personalidade forte. E põe forte nisso! Ela nunca ia pela cabeça dos outros e, desde pequena, defendia seus argumentos como qualquer adulto. Às vezes ela não estava certa, é claro, mas, mesmo assim, continuava firmemente com o seu ideal. Quando colocava algo na cabeça, ninguém tirava dali. Ela ia até o fim.
Um certo dia, aos 8 anos, Maria Rita chegou para sua mãe e disse:
- Mãe, a senhora não vai ser avó.
- Não vou ser avó? Por que isso agora, Maria Rita? De qualquer maneira, você ainda é muito nova para pensar nessas coisas.
Não se intimidando pelos comentários da mãe, a garota continuou:
- Decidi que quero morrer virgem.
A mãe, que estava bordando um pano, virou-se e encarou a filha. A coisa estava começando a ficar séria.
- Desde quando você sabe o que é ser virgem, minha filha? E quem enfiou essa história na sua cabeça?
- Ninguém enfia nada na minha cabeça, mãe. Só decidi que quero morrer virgem.
- Querida, esses assuntos ainda não são para você. Além do mais, você nem sabe o que é ser isso direito. Quando você crescer, vai achar graça disso.
- Não, não vou. Vou morrer virgem.
E saiu saltitando para brincar com suas bonecas.
Crianças inventam tanta coisa, pensou a mãe. Isso é apenas uma fase. Com certeza ela teria visto aquilo em algum filme ou novela e decidiu repetir, como acontece com toda criança. Morrer virgem, tem até graça. Logo a Maria Rita, que é tão espevitada? Nunca. Daqui a uns vinte anos, vou estar correndo atrás dos meus netinhos pela casa. A mãe acalmou-se e esqueceu o assunto, já que não lhe deu muita importância. Não mencionou o ocorrido a ninguém.
Só que, como já foi dito, Maria Rita vai até o fim. Aos 12 anos, sentada na mesa comendo a ceia de natal, escutava a mãe contar entusiasmada para os parentes que a sua garotinha agora era uma mocinha.
- Não acredito! A Ritinha? Mas lembro que até ontem a segurava nos braços.
- Pois é, como o tempo voa!
E o pai comentou:
- Voa mesmo. Daqui a pouco eu serei avô.
E Rita, que estava prestando atenção à conversa mas que se mantivera calada até então, abriu a boca e perguntou, inocentemente, ao pai:
- Papai, o senhor amaria um neto adotado, não amaria?
- Adotado? – Pego de surpresa, continuou: - Claro, filha... Mas, um adotado nunca substitui um neto que tem seu sangue, não é?
- Mas eu não vou ter filhos. Vou morrer virgem.
Todos se entreolharam confusos por um segundo. Aquela menina entendia o que estava dizendo?
Até que o silencio foi quebrado:
- Você vai querer ser freira, é isso, Ritinha?
- Não, tia.
Durante toda aquela noite não se falou mais naquele assunto, todos estavam receosos demais. Porém, no outro dia, Maria Rita era o assunto de todos da família. Até o tio que estava de férias no Paraguai soube o ocorrido. Era só no que se falava, embora ninguém levasse a sério as palavras da criança. A notícia era dada como se fosse uma piada. A garota só tinha 12 anos e queria morrer virgem, vejam só!
Maria Rita fez 13, 14, 15, 16... e aí veio seu primeiro namorado, o que fez os pais pensarem que, lógico, ela tinha desistido da ideia absurda.  Mas não. Ela tivera 4 namorados e todos haviam arranjado um jeito de acabar com o relacionamento quando descobriam a maluquice que ela insistia em levar em frente. Nenhum durava. Ninguém a amava. Por vezes, a pobre menina quis desistir da sua promessa, mas seu ego era maior que a vontade. Ao ser indagada o porquê de tudo aquilo, ela apenas respondia:
- Quero alguém que me ame. Quero a pessoa certa.
Difícil ser diferente de todo mundo, ela bem sabia disso. Mas, de um jeito maluco, ela acreditava poder fazer a diferença. Ela acreditava estar plenamente certa. Ela acreditava que o problema não era ela, era o mundo, os outros. E quem poderia ir contra à tal irredutível pessoa?
Como o texto é meu e como eu escrevo que me der na telha, vamos ao fim bonito e previsível.
Maria Rita teve a coragem que as Marias Ritas do mundo não têm: a coragem de não desistir, seguir em frente. Aquilo já era questão de honra.
Começou seu relacionamento “sério” (com as aspas, ainda, porque o segredo ainda não tinha sido revelado) com o quinto cara e, decepcionada com a vida e com as pessoas, não esperou muito. Mas ela era direta, sem rodeios, sem pausas, sem vírgulas – diferentemente da simples mortal que vos escreve - , e, como fizera quatro vezes antes, segredou, numa tarde, o seu desejo ao namorado.
-  Você precisa saber de uma coisa...
- O quê?
- Eu quero morrer virgem.
- Eu também quero contar uma coisa.
- O que é?
- Te amo.
E foi ali que a menina que não queria ser mulher soube: tinha encontrado a pessoa certa. Procurou, procurou, procurou e finalmente havia encontrado o seu encaixe. A garotinha que com 8 anos viu num filme uma garota de 16 dizendo à sua mãe que queria morrer virgem só para poder convencê-la de que não iria fazer nada de errado numa festa, e correu para imitar a fala expressiva e legal que achara para sua mãe, e depois só continuou aquilo por pirraça, porque não queria voltar atrás, porque queria mostrar às pessoas que ela estava certa – nem ela mesmo tendo certeza disso, agora encontrara alguém que não ligava para aquilo. Era isso mesmo? Maria Rita 1, Sociedade 0?
A senhorita virgem noivou, casou e começou a morar junto. E depois teve filhos. Não, não eram adotados. Isso é só mais um texto bobo e meu, então eu termino assim:
Ela teve relações sexuais, mas morreu virgem. Virgem de influências alheias. Porque quis assim. Porque eu quero assim.
Vamos combinar, a Ritinha era muito espevitada, não é mesmo?
Morreu Virgem. Com letra maiúscula, uma vez que é mais expressivo. E uma vez, é claro, que o texto é meu. Que vocês todos sejam as Marias Ritas do meu texto inventado, e que o destino seja um escritor tão generoso quanto eu, modéstia à parte.

domingo, 15 de julho de 2012

Refúgio

Ainda não cheguei a esse patamar. Minha bagunça (ainda) concentra-se apenas no guarda-roupa, hein?
Lembrar de coisas boas é tão bom. Se dar aquela geral no seu guarda-roupa tem um lado positivo, com certeza esse é encontrar boas recordações. Coisas que te marcaram muito, mas que com a correria você acabou esquecendo. Esqueceu de como estava feliz naquele dia. Esqueceu das pessoas que gostou um dia. Esqueceu dos presentes que ganhou. Esqueceu dos momentos que passou com aquela roupa bonita. Esquecemos muito fácil. Muito mais fácil do que lembramos. Preferimos nos concentrar nos momentos ruins. Nos problemas. Nas infelicidades. E esquecemos tudo de bom que vivemos - e, podem apostar, foram muitas coisas.
Hoje, arrumando a parte do guarda-roupa onde eu guardo livros e papéis, foi isso que aconteceu. Lembrei de tanta coisa! Vi meus testes e provas antigos, vi uns trabalhos e me lembrei de como eu os tinha feito, li muito texto besta sobre assuntos mais bestas ainda. Não tive coragem de jogar nada fora. E podem me dizer que eu não posso me apegar ao passado e tenho que focar no futuro. Mas eu morro de pena, gente. São pedaços meus, ali.
Não quero pôr fora minha reportagem sobre trabalho na adolescência que foi feita em grupo e na qual eu entrevistei um professor e o porteiro lá da escola. Me senti o máximo escrevendo "nessa entrevista exclusiva". Não sabia que soaria tão cômico depois de um ano.
Não tenho coragem de jogar fora o meu mini-livro "A Certeza do Caos", que foi um trabalho de história sobre a Primeira Guerra Mundial. Deu um trabalhão, principalmente porque só tivemos uma semana para fazer tudo, mas foi gratificante ver meu 10,0 no final.
Recuso-me a jogar fora minhas provas do 6º ano. Minha letra era horrível e é bom lembrar dela. E minhas redações? Aquelas fofuras cheias de erros.
Dentre tantas outras coisas...
Sabe, por mais que eu não perceba, evoluí. Cresci, aprendi a argumentar melhor, a escrever melhor, melhorei a letra... e um monte. Lembrar disso me renova.
Não jogo fora de jeito nenhum porque, se eu já esqueço tão facilmente dos bons momentos tendo tais coisas em meu poder, imagina se eu me livrar delas? Vou querer lembrar e não vou poder. Quando eu estiver me sentindo frustrada e a pior pessoa desse mundo, já sei ao quê recorrer: aos meus papéis e cadernos velhos. Lembrarei que sim, já vivi boas coisas. 
E, no fim, o guarda-roupa nem ficou lá essas coisas. Continua entupido de papéis que, para muita gente, só ocupa espaço, mas que, para mim, são um refúgio particular.

domingo, 8 de julho de 2012

Alegria de pobre... é para sempre

À tarde de um sábado calorento, seis pessoas estavam quase sufocando no banco de trás de um táxi, onde só deveriam estar três. Sim, três estavam no colo das outras três, batendo a cabeça no teto do carro quando este passava por uma lombada. Uma ia no banco da frente, indicando o caminho. A tia, mais velha, trazia nos olhos a alegria de uma criança, não parando de falar sobre as horas no shopping e o quão feliz é ser pobre. Não, ninguém da história é realmente pobre. Todos têm casa e comida. 
Porque se eu fosse rica, dizia, não seria tão feliz assim. E saiu dando exemplos de famosas que diziam não serem felizes. As pernas da pessoa do meio estavam dormentes com 46 quilos no seu colo. Mas só era lembrar da tarde para o sorriso voltar ao rosto. 
As sete pessoas, que pertenciam a mesma família, haviam se encontrado sem querer (porque pobre sempre se encontra, dizia a tia). Três tinham ido comprar algo, as outras quatro só para passear, tentando animar uma que estava doente. 
Cheias de sacolas, com um pacote enorme de fraldas na mão, um bebê no colo, sapatos que estavam incomodando, cadernos, guarda-chuva e jornais, as pessoas (a tia chamava de sem-tetos, mesmo) foram lanchar algo. 
Juntaram as mesas e riram até a comida chegar. Depois comeram enquanto riam. Ao acabar de comer, continuaram rindo, já que o garçom demorava a dar a conta. E rindo sobre o quê? Rindo sobre como pareciam retardados ao rirem. Riam de implicarem tanto uns com os outros, ou seja, riam de tanto se amarem. Porque a gente só implica com quem ama. "Olha aquela família de loucos!", não me admiraria se alguém apontasse e dissesse. Engraçada foi a parte em que uma pessoa tentava imitar um ataque alérgico para não pagar a conta. Não, ninguém fez isso. Só parecem não ter juízo, mas têm.
De barriga cheia, tiraram todas as sacolas, e fraldas, e bolsas e guarda-chuvas de onde tinham colocados e foram brincar, porque ninguém deixa de ser a criança que é ou foi um dia. Fizeram gols, bateram muito uns nos outros no carrinho bate-bate e quebraram o recorde de pontos no basquete em toda a história do estabelecimento (mas não ganharam nada por isso, talvez - e somente talvez - porque estavam jogando quatro pessoas onde deveria ir apenas uma só).
Nada mais para fazer, dinheiro já gasto, volte ao primeiro parágrafo e lembre do táxi. Muito simpático, aquele taxista. Todos dizendo veementemente que não cabiam sete ali, e ele dizendo que sim. E no fim coube. Muito apertado. Já disse que tinha gente quase sufocado? Exagero. Estava todo mundo muito bem, e muito feliz também. Porque eram pobres. Alegria de pobre é sem falsidade, é singela, é para sempre. E a mãe, que estava no banco de trás com seu filhinho de 2 meses no colo, logo apressou-se em alertá-lo:
"Se acostume, meu bem, essa é sua família agora".

Baseado em fatos verídicos. Desculpa se ficou confuso, foi só porque eu não quis citar nome de ninguém.
Amo vocês, família <3

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Incerto futuro


Desde que eu me entendo por gente, eu digo que quero ser médica. Acho que é um dos sonhos mais comuns das crianças, principalmente das meninas. E tem toda aquela coisa de salvar vidas, ganhar bem, vestir somente branco, ter um consultório só seu, escutar os batimentos cardíacos com o estetoscópio - coisa que eu sempre quis fazer. Sempre que eu contava esse meu sonho para alguém, a pessoa era toda sorrisos e elogios para comigo, o que fazia meu ego infantil explodir de orgulho de uma coisa que eu nem era ainda mas pretendia ser quando virasse adulta, é claro.
Mas aí eu cresci. Saí da ignorância e comecei a me perguntar se era aquilo mesmo que eu queria. Será que eu quero mesmo me matar de estudar para o resto da minha vida, estar sempre viajando, passar noites em claro dando plantões, mal ter tempo de me coçar e de cuidar da família que eu sonho ter um dia? 
Porque eu até acho que esse negócio de ser médica foi algo que me impuseram indiretamente. Claro que eu poderia ser professora, mas se eu quisesse comprar livros, roupas, acessórios, filmes e fazer as viagens que eu sonho, ia ficar só querendo mesmo. Alguém me entende?
Nossa, eu acho linda a ideia de salvar uma vida, devolver chances de recomeçar a alguém que estava quase partindo dessa para uma melhor, mas para ser médica, ao meu ver, eu terei de abrir mão de muitos outros sonhos. Como a gente faz quando não dá para conciliar todos os sonhos que se sonha? 
Além do mais, eu amo escrever. Não, não faço isso nada bem, mas mesmo assim eu gosto. Gosto de como, à cada palavra rabiscada, eu vou me sentindo mais e mais e mais leve. Mesmo que ninguém leia, já decidi: vou publicar livros num futuro próximo. Às vezes penso de desistir do vestibular de medicina e fazer jornalismo. Ou ainda letras, porque, mesmo que professor não seja lá uma profissão bem remunerada, é uma das que eu acho mais nobres. O professor passa seus conhecimentos aos alunos. Conhecimento é poder. Logo, pelo princípio da lógica: o professor dá poder aos alunos. Isso não é lindo?
Ainda faço primeiro ano do Ensino Médio e vivo me atormentando por isso. Talvez, no fim, eu acabe sendo uma médica sem tempo para qualquer outra coisa, ou uma escritora frustrada, ou uma professora sem dinheiro para viajar para o interior do próprio estado, quanto mais para o Canadá, país o qual sonho conhecer desde os 13 anos. Ou, talvez, ainda, porque nunca se sabe já que a vida é traiçoeira, eu acabe sendo a última coisa que eu tenha sonhado. 
Mesmo que eu precise abrir mão de sonhos antigos, mesmo que eu não me torne lá 100% realizada, eu só espero que eu não me arrependa no meio do caminho. Eu quero olhar para trás e dizer: fiz a coisa certa. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Os Imortais: eu li

Eu não sou muito de falar de livros por aqui. Só que, após conseguir, finalmente, terminar de ler a série Os Imortais, senti-me obrigada a falar dela aqui. Afinal, foram uns dois anos para eu ler tudo.
Quem ler série, sabe como isso é horrível. O livros sempre acabam na melhor parte. E quando você vai atrás do próximo, não o encontra - ou, se o encontra, não pode comprar. E quando finalmente consegue, simultaneamente, encontrar o livro enquanto tem dinheiro para comprá-lo, nem lembra mais o que aconteceu no último lido. 
A minha tia foi quem me presenteou com o primeiro livro da série. Li e gostei. Muitos meses depois comprei o segundo, que li numa manhã só de tão envolvida que fiquei e também porque não tinha muita coisa para fazer, pois estava de férias. O terceiro, Terra de Sombras, só veio nas férias seguintes. O quarto foi presente. O intervalo entre o quinto e sexto livro foi o menor de todos, acho que não passou de um mês, isso porque eu abusei muito minha querida mãe. Não aguentava mais me deparar com uma personagem no meio da história e me perguntar: quem é essa e de onde saiu, pelo amor de Deus? Só depois eu lembrava da coitada, que de tão secundária foi ofuscada pelas personagens principais - Ever (que é muito imatura e faz tudo errado) e Damon (que, só para constar, é descrito pela autora como o namorado perfeito que toda adolescente bobinha e romântica, assim tipo eu, queria ter: é bonito, fofo, inteligentíssimo, sexy, esperto, carinhoso e, o mais importante: ama-te incondicionalmente, não se importando pelas besteiras que você fez ou fará, porque vocês foram destinados a ficar juntos... quem não queria um desses, me diz?)
Longe de mim resenhar os seis livros. Primeiro porque eu teria que lê-los novamente, já que a história é tão complexa e cheia de detalhes que eu não lembro de tudo. Segundo porque isso demanda esforço e eu, no momento, estou com frio, preguiça e louca para ir assistir Friends, pois minha prima (obrigada, Thayná) me emprestou uns DVDs com a primeira temporada inteira. 
Então, o que vocês precisam saber: Ever e Damon têm problemas, problemas, problemas e mais problemas.  Eu até que poderia dar uma de contra spoilers, mas, caramba, quem não pode deduzi o final disso? Sim, logicamente eles terminam juntos e felizes.
Do jeito irônico que eu estou escrevendo parece até que eu não gostei dos livros. Muito pelo contrário, eu os amei. Morri e ressuscitei de raiva quando, durante os primeiros cinco livros, a Ever só fez burrada. Admito, ela queria concertar as coisas. MAS ELA NUNCA FAZIA NADA CERTO! Ela só piorava tudo e depois ficava com aquele mimimi. Aí depois eu morria e ressuscitava novamente quando o Damon ia lá reconfortá-la. Eles continuaram juntos mesmo quando não podiam se tocar! É muito amor, só coisa de livro, mesmo...
Enfim, a Ever só vai tomar jeito e endireitar as coisas no sexto livro. É claro que a história é muitíssimo mais complexa que isso, tem dezenas de personagens. E, como eu disse, os dois passam por diversos problemas (a maioria causados pela Ever tentando solucionar outro). 
Eu particularmente gostei do final. Foi totalmente inesperado. Gosto assim, odeio livros previsíveis. Gostei tanto que deixei escapulir umas lágrimas. Não vou contar o final para vocês, porque, na maior inocência, animada com o fim da série, contei o final para a minha amiga (que também estava acompanhando, por influência minha, só que a uns dois livros antes) e ela quase me engole viva. Só vai ler quando tiver esquecido o que acontece. Eu sei, também odeio quando me contam finais, mas vocês têm de perceber que eu estava muito emocionada. Da próxima vez, só o meu diário fica sabendo. 
Foram seis livros, acho que quase umas duas mil páginas, mas, como eu sou legal e amigável, vou resumir a série inteira em uma linda e emocionante frase para vocês colarem na porta de suas geladeiras:
Não importam as barreiras, não importa a época, não importam as conspirações das pessoas, não importam quantas vezes você reencarne: sua vida já está escrita, você e sua alma gêmea vão sempre se reencontrar e, se estiverem destinados a ficarem juntos, assim será, para sempre... porque, talvez, o para sempre exista.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O produtinho* do século XXI


- Ô mamãe! Mãe, mãe, mãe! Vem lápido!
- O que foi, querido, que houve?
- Vem lápido!
E lá foi a mãe, largando os pratos ensaboados na pia, à procura do seu filhinho.
- O que aconteceu, meu anjo?
- Na hola que eu ia matar o monstlo tudo ficou pleto.
- Foi só porque acabou a energia. Já, já volta. Você pode ir brincar com outra coisa enquanto espera, querido.
- Tá bem...
Ele foi ao seu quarto ligar o computador, já que o videogame não funcionava. Como não conseguiu, correu ao encontro da mãe.
- Ô mamãe, o computador não liga!
- A mamãe não explicou que está faltando energia?
- Mas faltou nos dois?
- Faltou no bairro inteiro, filho.
- Ah...
Sem computador, sem videogame, o que faria ele? Tentou ligar a televisão, mas nada. O celular descarregado não carregava. As luzes dos cômodos não acendiam. O microondas não preparava sua pipoca. O chuveiro elétrico não esquentava sua água. Seu sorvete tinha derretido. Seus carrinhos não tinham graça, pois não andavam sozinhos. Seus soldadinhos não arrancavam a cabeça dos seus monstros. Os seus zumbis não se levantavam sozinhos das suas tumbas para assustar pessoas. E o mais legal também não acontecia: as suas pessoas de plástico não saíam correndo amedrontadas. 
Muito frustrado, foi à mãe novamente.
- Mamãe, assim não tem glaça viver.
- Daqui a pouco a energia volta, meu amor. Tenha paciência.
- Mas eu quelo blincar agola - e começou a chorar descontroladamente.
A mãe, pegando-o nos braços, tentou reconfortá-lo.
- Você tem vários brinquedos, querido!
- São todos uns chatos! Eles não matam, não falam e nem se mechem.
- Mas, amor, essa é a parte legal. Você tem que imaginar o que quer que eles façam.
- São chatos! São chatos!
Em meio a soluções, pegou no sono. A mãe deitou-o e enrolou-o na cama. Saiu dizendo a si mesma:
- Agora, sim, eu percebi. Estamos no século XXI.

* produtinho, no título, é só o diminutivo de produto, não foi empregado de maneira pejorativa, só para esclarecer. Até porque eu também sou quase um produto desse século, né. Nasci em 96.